“Enquanto morar for privilégio de poucos, ocupar é um direito de muitos”, assim foi chamada uma aula pública que discutiu a moradia social em São Paulo. Dentro do contexto global de cidades marcadas pela desigualdade no direito à moradia, os movimentos sociais brasileiros encontraram na ocupação de edifícios abandonados uma maneira de se inserir no tecido urbano.

Regenerar sem expulsar
Minha Casa, Minha Vida, Meu Centro. E se os programas de habitação social, ao invés de promover a construção nas periferias, fizessem habitação social em edifícios de propriedade pública no centro da cidade, que estão em desuso?

Nossa estratégia de intervenção se baseia no projeto Casa en Construcción, que começamos a desenvolver em Quito, Equador. Nele, morar, educar e regenerar são os fundamentos da intervenção.

Na estratégia de regeneração, os usos complementares à moradia são áreas de formação, escritório técnico, oficina de produção e armazém de materiais. O projeto funciona fora das regras de mercado; não há desenhos prévios para clientes genéricos. Os profis- sionais – arquitetos, sociólogos, designers, engenheiros – projetam e constroem cada espaço participativamente, com a comunidade. Não se trata de caridade ou de paternalismo, mas de um processo que traz ganhos para todos: para os profissionais, é um espaço de desenvolvimento pessoal e profissional; para a comunidade, é uma escola de formação técnica que, além do mais, lhes fornece uma morada digna.

Se as condições de moradia são dignas, o estigma social da ocupação é dissolvido, e a habitação pode ser pensada como ferramenta de transformação que é parte da regeneração da cidade. Quando morar for privilégio de todos, ocupar não será mais uma necessidade. 

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