O design para as pessoas que a cartilha do politicamente correto chama – eufemística ou cinicamente? – de “melhor idade” está na ordem do dia do design internacional, acompanhando as mudanças demográficas que têm levado ao aumento proporcional das faixas das pessoas mais velhas nos contingentes populacionais mesmo dos países em desenvolvimento. 

Em janeiro próximo, o London Design Museum vai abrir uma exposição chamada New Old: Designing for Our Future Selves (“novo velho: desenhando para nós mesmos no futuro”). Nas palavras do curador Jeremy Myerson, o objetivo é “mostrar como o design pode ajudar as pessoas a terem vidas mais completas, saudáveis e gratificantes na velhice”. Entre os designers escolhidos para fazer projetos para a mostra estão Konstantin Grcic e Yves Béhar.

O tema já esteve presente em setembro numa das exposições da primeira Bienal de Design de Londres, que reuniu 37 países na Somerset House com suas respostas ao tema Utopia by Design. A Noruega fez um apanhado das suas ações recentes voltadas ao atendimento da determinação do governo de tornar o país líder em design inclusivo no mundo. A curadora Onny Eikhaug, do Norwegian Centre for Design and Architecture, focalizou alguns dos resultados dessa política. A meta é que até 2025 os espaços urbanos, os edifícios, os sistemas de transporte e os objetos terão atendido plenamente os requisitos do design inclusivo.

Outro governo que está fazendo alarde sobre suas metas é o de Tóquio. A prefeita Yuriko Koike quer fazer da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2020 um “símbolo mundial nas políticas de apoio à população mais envelhecida”, especialmente em mobilidade e saúde. Hoje um quarto de sua população tem mais de 75 anos. Foi no Japão que se cunhou, ainda nos anos 1980, a expressão “silver industry”, para designar os objetos e sistemas voltados para os idosos.

A instalação de rampas em locais públicos e a eliminação das barreiras físicas em geral são medidas necessárias, porém não suficientes. Um dos desafios dos designers é romper as barreiras psicológicas, que estigmatizam as pessoas com mais de 60 anos, confinando-as a um lugar não corresponde ao estilo de vida contemporâneo dessa faixa etária. Os pictogramas adotados nas placas de reserva de vaga nos estacionamentos mostram bonequinhos corcundas de tão curvados, com suas bengalas e às vezes até com as mãos nas costas, numa postura corporal que diminui as pessoas por eles representadas.

No Brasil, a melhor solução, a meu ver, foi a adotada em 2012 pelo Studio Ronaldo Barbosa, de Vitória, dentro do amplo programa de redesign do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes). Ronaldo e sua equipe entenderam que o conjunto “60+” bastava para representar a lei, que determina prioridade para sexagenários, sem se valer de padrões físicos. Já os símbolos do programa norueguês batizado de Inovação para Todos usam as representações corporais de forma muito amigável, retratando as várias situações de vida que devem ser levadas em consideração nos projetos de design, como, por exemplo, alguém que carrega uma mala.

Leia a coluna completa de Adélia Borges na edição de novembro da Bamboo, nas bancas.