No dia 21 de agosto, milhões de pessoas pelo mundo assistiram à cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos. O campo do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi invadido por animações gigantescas e realistas que homenagearam personalidades brasileiras e serviram de pano de fundo para performances como a formação do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor. O público se espantou ainda mais quando o chão rachou num grande baile de forró.

Por trás do espetáculo de imagens e sons estava a produtora carioca especializada em design de experiência SuperUber. A empresa, inaugurada em 2002 pela arquiteta Liana Brazil e pelo engenheiro eletrônico sul-africano Russ Rive, é referência internacional no segmento – o casal já criou mais de 200 projetos multidisciplinares pelo globo, entre os quais estão trabalhos permanentes no Brasil e nos Estados Unidos e outros efêmeros para marcas como Tesla, Intel, Nike, Coca-Cola, Petrobras, TAM e Vivo.

Com escritórios no Rio de Janeiro, em São Paulo e em São Francisco, na Califórnia, a SuperUber combina arte, ciência, tecnologia, arquitetura, design e cenografia no desenvolvimento de instalações virtuais e experiências interativas para museus, lojas, festas e festivais. Em outras palavras, eles criam sistemas digitais que despertam sensações e transmitem conteúdos de maneira divertida e intuitiva. “Exploramos as tecnologias, subvertendo seu uso comum em funções não convencionais. Assim criamos ambientes e inventamos formas de passar uma mensagem ou de contar uma história. É um trabalho essencialmente experimental e multidisciplinar”, diz Liana.

Entre os projetos mais recentes estão a sala de projeções para o espaço do México na Bienal de Design de Londres, em setembro, e a exposição permanente Floresta Protetora, aberta em julho no Rio, sobre a riqueza do Parque Nacional da Tijuca. Em março de 2017, será a vez de o Patricia and Phillip Frost Museum of Science, em Miami, ganhar conteúdo desenvolvido pela SuperUber. A mostra Feathers to the Stars tem como tema o voo e o voar e acontecerá no novo prédio do complexo cultural americano.

Bamboo Como funciona o processo de desenvolvimento de um projeto na SuperUber?
Liana Brazil Nunca começamos uma ideia a partir da tecnologia. Iniciamos nos perguntando qual experiência ou mensagem queremos passar, e só depois definimos a tecnologia a ser explorada. Em cada projeto, unimos a equipe – temos talentos de arquitetura, cenografia, programação, eletrônica, prototipagem, design, motion, edição, produção e montagem – e analisamos qual disciplina é mais importante. Alguns projetos são mais de cenografia, outros mais de conteúdo, e há aqueles em que a tecnologia é um desafio ao qual ajustamos uma metodologia de trabalho específica. Outra fase importante é a de protótipo, quando testamos as ideias e grande parte da criação acontece.

B Então a produtora é também um laboratório de pesquisas?
LB Nossa multidisciplinaridade se baseia na experimentação. Criamos a base dos projetos mais inovadores, desenvolvemos tecnologias do zero para que sejam sempre melhoradas e temos um banco próprio de softwares, imagens e animações. Somos movidos por uma curiosidade enorme e pela busca da solução de problemas.

Confira a entrevista completa com Liana Brazil, do SuperUber, na Bamboo de dezembro, nas bancas.