A extensa discussão que envolve o parque Augusta condensa conflitos essenciais da dinâmica urbana. De um lado, o primeiro setor, que detém a propriedade do terreno e dele espera o maior resultado econômico possível; de outro lado, o terceiro setor, dos movimentos coletivos organizados, que defende o usufruto da cidade, a qualidade, a democratização e a autogestão dos espaços públicos. Em meio a essas forças está o poder público, cujas ações oscilam entre aqueles dois polos, ora autorizando exceções para o poder econômico, ora reconhecendo o interesse coletivo da área. Haveria alguma solução capaz de conciliar interesses tão divergentes?

Acreditamos que essa discussão não pode se restringir aos limites físicos do parque Augusta. Qualquer tentativa de conciliação, ali, será uma mutilação: do escasso espaço livre e verde arduamente preservado em meio ao voraz adensamento da região e, ao mesmo tempo, do potencial de realização financeira esperado pelos que detêm a sua propriedade.

Dada sua exemplaridade, o parque Augusta pode provocar uma reflexão mais profunda sobre os modos de pensar, fazer e usar a cidade, recolocando uma questão urgente: O que é melhor para o futuro de nossas metrópoles?

Uma quadra, um oásis
Justamente por se localizar em um endereço de alto valor, o parque Augusta resiste como um oásis. Como parque, ampliará o valor do que está ao redor. Como empreendimento, extrairá o valor da terra e matará o lugar.

Sua escala é irrelevante se comparada a outras áreas livres da cidade, mas imprescindível quando se reconhece a ocupação intensiva do seu entorno. A preservação integral, como área aberta e livre, é condição para a reconstrução de uma qualidade urbana rara. Por outro lado, não custa perguntar: seria o empresariado capaz de reconhecer o potencial transformador de seus investimentos, gerando legados positivos para a cidade? 

Confira todos os Projetos para SP na Bamboo de novembro, nas bancas.