Arquitetura e arte são disciplinas que foram se afastando nas últimas décadas, mas estiveram intrinsecamente conectadas durante o modernismo. Em meados do século 20, muitos grandes nomes atuaram em diversas expressões artísticas, como Burle Marx e Le Corbusier. Como o resgate de valores modernos é uma das bandeiras da construtora gaúcha Smart, propiciar um empreendimento imobiliário com concepção artística era um sonho alimentado pelos arquitetos a frente da empresa, Márcio Carvalho e Ricardo Vellinho Ruschel.

O antigo desejo é concretizado agora com o lançamento do edifício residencial Iguaçu, cocriação com a artista plástica Heloísa Crocco. O prédio, em Porto Alegre, conta com lâminas de metal que formam brises e o painel do térreo, desenhados a partir da pesquisa de Heloísa. Vistas da rua, as lâminas destacam o edifício de seus vizinhos, gerando uma arquitetura interessante, ao mesmo tempo que discreta. De dentro dos apartamentos, são como um quadro pendurado na parede de vidro, formando sombras e reflexos. As obras de arte são, ao mesmo tempo, privadas e públicas.

Todo o conceito nasceu a partir da localização do empreendimento, na rua Iguaçu, no bairro de Petrópolis. A palavra de origem tupi-guarani foi escolhida para dar nome ao prédio e inspirou os arquitetos a resgatar a cultura indígena. Por isso Márcio e Ricardo abordaram Heloísa, cuja expressão artística está intrinsecamente relacionada às árvores, assim como os guaranis. “A madeira recortada foi a primeira expressão artística do ser humano. A Heloisa enxerga no veio da madeira a simbologia do tempo”, admira Márcio.

A artista adorou a ideia de colaboração e propôs um workshop com toda a equipe da Smart. Os arquitetos, designers e engenheiros passaram um dia se aprofundando na pesquisa de Heloísa, além de brincarem de carimbar e montar com o seu ‘alfabeto topomórfico’. “É interessante que a arte não é um apêndice do projeto. Não foi algo que entrou depois da arquitetura. Todo o caminho foi percorrido em conjunto, numa fusão”, conta Ricardo.

arte da natureza
Tópos significa lugar e Morphe, forma. Daí vem o termo topomorfose, que Heloísa traduz como impressão digital da natureza. Seu ‘alfabeto topomórfico’ nasceu de uma viagem que ela fez à Amazônia com Zanine Caldas. Visitando áreas desmatadas, ela se interessou pelos anéis de crescimento que ficavam visíveis nos tocos dos troncos deixados para trás. “Essa é a geometria da natureza”, diz. Esses desenhos se reproduzem como estampas, que podem ter desdobramentos infinitos, inclusive arquitetônicos.

arquitetos empreendedores
A Smart nasceu em 2009, pela insatisfação dos arquitetos Márcio Carvalho e Ricardo Vellinho Ruschel em relação aos empreendimentos imobiliários de baixa qualidade arquitetônica que tomavam conta de Porto Alegre. “Queríamos resgatar o papel do arquitetos como protagonista do mercado imobiliário”, diz Márcio. Ele e seu sócio decidiram, então, assumir os riscos da incorporação e lançar seus próprios empreendimentos. Na contramão do mercado, eles apostaram em empreendimentos com poucas unidades, livres de área de lazer, pensados para uma existência essencialmente urbana. Iguaçu é o quarto prédio do portfólio.

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