Agostinho Batista de Freitas foi um pintor de praça. Daqueles que pintam cavalos, fazendas, palhaços, santos e santas, retratos de parentes ou panoramas urbanos e tentam conquistar o gosto do transeunte em busca de uma imagem pitoresca. Ele pintou todo o tipo de assunto, mas foram as imagens da transformação de São Paulo em uma grande metrópole que o tornaram conhecido. Sua pintura parece acompanhar passos decisivos na mudança do desenho urbano e na relação dos moradores com a cidade.

Agostinho começou a trabalhar na década de 1950 e suas últimas telas foram feitas nos anos 1990. Nesse meio tempo, passou a participar de mostras em museus e galerias. O Masp e o seu primeiro diretor Pietro Maria Bardi tiveram papel decisivo nessa inserção institucional.

No decorrer desse período, não foi só o seu motivo que se alterou, mas a sua própria pintura. Agostinho problematizou como deveria pintar São Paulo. Por isso as paisagens são tão variadas. Ao longo da sua trajetória, mudam os esquemas de composição, a relação entre cor e linha e as maneiras que ele escolheu para dar forma às figuras, especialmente as figuras humanas.

Nas melhores pinturas, as pessoas perambulam pelos espaços sem estabelecer grandes vínculos com eles. Mulheres e homens são figurados como manchas indefinidas. É como se todos fossem migrantes na modernidade paulistana.

Diferente das estruturas da engenharia, do urbanismo, a vida nessa metrópole em transformação veloz acontece de maneira desordenada, rastejante. O trabalho do artista é mostrar essa vida como um musgo que cresce sobre uma lápide até tomá-la ou até cair seco no chão. 

Serviço
Agostinho Batista de Freitas, São Paulo
Abertura: 9 de dezembro
Exposição: 10 de dezembro a 9 de abril
Local: Masp