“Nós não resolvemos problemas.” A frase despretensiosa poderia passar despercebida caso
não tivesse sido proferida por arquitetos, mais especificamente, por um coletivo de arquitetura de Berlim. Com ela, o Raumlabor mostra distância da compreensão convencional da profissão, a qual postula para si a capacidade de organizar situações complexas e pacificar conjunturas problemáticas. O statement do Raumlabor (“laboratório do espaço”, em alemão) prossegue esclarecendo seus objetivos: “Iniciamos processos que dão aos atores a oportunidade de saber, entender e usar a cidade e suas dinâmicas, assim como suas possibilidades”.

Suas intervenções estão na intersecção entre a arquitetura, a arte pública e o urbanismo. Os nove arquitetos do Raumlabor formam grupos multidisciplinares de acordo com cada projeto, reunindo-se com especialistas – engenheiros, sociólogos, cineastas, curadores, etnólogos, entre outros – e com cidadãos locais, para munirem-se tanto de apoio técnico e teórico como da expertise cotidiana dos residentes do lugar.

Em entrevista à Bamboo, Jan Liesegang, cofundador do coletivo em 1999, ressaltou que o modus operandi não é hierárquico. Já Christof Mayer esclarece que a palavra-chave deles é colaboração. Por se organizarem como equipes abertas é que conseguem operar nas mais diversas localidades e situações em todo o mundo – eles têm projetos realizados em 29 países. E, nessa operação participativa, a ênfase está sempre no processo: há muitas consultas e pesquisas em cada situação, mas nunca se prendem à teoria; pelo contrário, põem a mão na massa.

O procedimento se inicia com a identificação de localidades urbanas problemáticas. Depois, são estudadas as várias camadas históricas do contexto e da conjuntura de momento e, por fim, propõem-se e realizam-se eventos públicos e ações efêmeras de construção. Neles, o público é incitado a interagir com uma arquitetura que se move, que facilmente se monta e se desmonta, que dá nova vida a lugares e materiais que estão disponíveis, porém subutilizados. Neste final de ano, chegou a vez de trabalharem no Brasil, mais especificamente na Vila Itororó, em São Paulo. Trarão para cá o modo como operam: um laboratório experimental pronto para ativar espaços urbanos. 

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