Criado pelos arquitetos André Romitelli e Martina Brusius, enquanto tomavam um sorvete de pistache com ganache na Itália, o ateliê batizado com o nome do sabor do doce nasceu da vontade da dupla de seguir trabalhando junto após desenvolver, pelo Atelier Marko Brajovic, o Pavilhão do Brasil na Expo Milão 2015.

Móveis, acessórios e objetos decorativos compõem as coleções, que, embora diversas em suas formas e funções, carregam o propósito crítico da metodologia de criação do Pistache Ganache. “Acreditamos que podemos dar maior longevidade aos produtos ao construirmos vínculos afetivos entre eles e os usuários por meio de narrativas que resgatem o passado das peças, ressignifiquem seu presente e criem novas perspectivas para seu futuro”, diz André.

Nessa toada, nasceu a linha de mobiliário Abandonados, com peças encontradas nas ruas e restauradas. Cada uma ganha nome, idade e uma história de vida que repercutem em intervenções pontuais. “Temos, por exemplo, o banco José, dono de um boteco em Santa Cecília, que carrega as cicatrizes do processo de gentrificação pelo qual seu bairro atravessa”, explica Martina.

Já a luminária da coleção Ipiranga relembra a produção de uma fábrica de iluminação dos anos 70 ao ser produzida utilizando antigas formas da indústria. Materializar a passagem do tempo em objetos sintetiza também o conceito dos colares Florêncio, cujas matérias-primas vieram da rua Florêncio de Abreu, na Santa Ifigênia. “Eternizamos nos acessórios os valores de uma rua em veloz transformação, subver- tendo o uso do cordão de fibra de vidro, convencionalmente usado em fiações elétricas”, diz Martina, que aponta a investigação de materiais como outra marca do Pistache Ganache, evidente desde a primeira coleção, os bowls Summer is Over, feitos com estanho após extensa pesquisa empírica. 

Leia a entrevista com Martina Brusius e André Romitelli na Bamboo de novembro, nas bancas.