O Jockey Club do Rio vive uma fase de novidades, intensificada com a inauguração, no fim de novembro, da Carpintaria, novo espaço da galeria paulista Fortes Vilaça – que agora passa a se chamar Fortes D’Aloia & Gabriel. O local é um dos cinco empreendimentos confirmados para os próximos meses, todos com vocações culturais e gastronômicas, para atrair novos usos e mais público.

Fundado há 84 anos, o Jockey ocupa um terreno de 640 mil m2, entre o Jardim Botânico, a Gávea, o Leblon e a lagoa Rodrigo de Freitas. “O Rio é uma das poucas cidades do mundo com um hipódromo em uma área tão valorizada e, ao mesmo tempo, tão subutilizada, já que o turfe perdeu importância”, diz o arquiteto Miguel Pinto Guimarães, um antigo defensor da transformação do Jockey. Ele é coautor do projeto do Rubaiyat, aberto ali em 2014. O grande restaurante tem dois ambientes: um salão principal, com transparência, pé-direito alto e luz natural abundante, e uma varanda totalmente aberta para a pista de corrida e a paisagem da cidade. 

O arquiteto também vai assinar a nova galeria da também paulista Nara Roesler, que vai trocar Ipanema pelo Jockey. No futuro espaço, a restauração de uma construção existente no local vai adicionar concreto aparente e iluminação zenital para criar duas salas para exposições, sendo uma no segundo andar. “A dificuldade é, ao mesmo tempo, ter um espaço permeável e manter as funções de galeria, que precisa de muitas paredes”, explica.

O envolvimento de Miguel com a ideia de revitalizar o Jockey é anterior a esses projetos e soma oito anos. Nesse período, ele tomou a iniciativa de propor um novo plano diretor, cujo destaque é o jardim de esculturas localizado no centro da pista de corrida. “É uma coisa meio Inhotim, para que artistas nacionais e internacionais sejam comissionados”, diz. Outro projeto, nascido há seis anos e em fase de captação de recursos, é um teatro para 1.200 pessoas, construído sob uma casa tombada, com a plateia e o palco embaixo da terra. Os dois projetos já foram apresentados às administrações do Jockey e da cidade, mas ainda não têm data para sair do papel.

Leia sobre os projetos apresentados ao Jockey na Bamboo de dezembro, nas bancas.