Nos dias 13 e 14 de dezembro, acontece pela segunda vez em São Paulo, a conferência internacional What Design Can Do. O grande destaque de arquitetura nesta edição é o escritório holandês MVRDV, representado por Jan Knikker. O MVRDV é autor de projetos como o Mercado Municipal de Roterdã e o Mirador, em Madri. Bamboo fez uma entrevista exclusiva com o arquiteto, antes do evento. Confira:

Bamboo Essa será a sua primeira visita a São Paulo? 

Jan Knikker Será a primeira vez, mas desde já vejo paralelos entre São Paulo e Roterdã, apesar de Roterdã ser minúscula se comparada a São Paulo. Roterdã é considerada uma cidade de trabalho, sem graça se comparada a Amsterdã. Eu ouvi dizer que o mesmo acontece entre São Paulo e Rio. São Paulo já era uma das maiores metrópolis mundiais antes da explosão da população urbana. Assim, é uma cidade que ditou tendências e funcionou um pouco como um parque experimental. O que acontece em São Paulo pode acontecer em outras cidades num futuro próximo e soluções encontradas aqui podem ser úteis em outras metrópoles. Também me fascina entender por que as pessoas se mudaram para a cidade. O que aconteceu com o campo para que todos tenham migrado?

B O que o design pode fazer por questões urbanas?

JK O bom design é essencial para tornar as cidades boas de viver. Se nós vivessemos na natureza e não houvesse quase nenhum design, não seria tão ruim. Mas num contexto urbano, artificial, o design se torna muito importante. É o que define nosso ambiente a até nosso horizonte. É cientificamente comprovado que ambientes urbanos bem projetados impactam fortemente a maneira como nos comportamos e nos sentimos. O design enfatiza a felicidade cotidiana.

B Você vê a verticalização como um problema? Como ter densidade sem perder a escala humana?

JK Nós apoiamos fortemente a densificação, pois é bom para o planeta poupar terra. Mas densificação no estilo de Hong Kong, com apartamentos minúsculos e de baixa qualidade, é muito dura. Nós estamos numa busca contínua por densificação de boa qualidade. Imagine se fossêmos capaz de pegar um subúrbio americano confortável, com grandes casas e grandes jardins e simplesmente colocá-lo na vertical. Aí você tem um arranha-céu fantástico. Pode parecer uma utopia, mas modelos digitais fazem representações cada vez mais realistas. 

B Você poderia falar um pouco sobre o projeto Silodam?

JK Silodam é um prédio residencial no porto de Amsterdã. Ele está sobre a água porque o edifício precisava ser muito grande, para poder dividir os custos da construção. A chegada de um grupo tão grande de residentes têm grande impacto no bairro. Nós decidimos introduzir vários tipos diferentes de apartamentos justamente para evitar que apenas um grupo demográfico se mudasse para lá. Há estudantes, famílias e idosos morando em apartamentos de luxo ou em moradias populares, todos no mesmo prédio. Como um bairro vertical. Dessa forma, o prédio enorme não dominou a área com um único grupo demográfico. A diversidade atrai diferentes estilos de vida e faixas etárias.