Conhecido por invenções como o domo geodésico, Richard Buckminster Fuller (1895-1983) deixou outro legado igualmente relevante: o exercício de criar de maneira multidisciplinar. Arquiteto, engenheiro, filósofo, cartógrafo, professor e escritor, Fuller aplicava seus conhecimentos em todas essas áreas na hora de pensar soluções para problemas de moradia, transporte, educação, energia, sustentabilidade e pobreza. Detentor de 28 patentes e autor de 28 livros, o americano dedicou a vida a fazer “o mundo funcionar para 100% da humanidade, dentro do menor tempo possível, por meio da cooperação espontânea, sem prejuízos para a natureza ou desvantagens para alguém”.

Com a missão de difundir esses princípios, o Instituto Buckminster Fuller recompensa desde 2008 soluções de design para as questões mais urgentes de hoje. Neste ano, seis finalistas concorrem ao prêmio de US$ 100 mil oferecido pelo Fuller Challenge, cujo vencedor está previsto para ser anunciado neste mês. Quase todas de fora dos Estados Unidos, as propostas abordam temas como habitação, emissão de CO2, água potável, comunicação, sepultamento humano e proteção de florestas.

Diretora-executiva do instituto, sediado em Nova York, Elizabeth Thompson conta que muito mudou desde que o desafio foi criado, há nove anos. “Quando lançamos o prêmio, o conceito de abordagem sistêmica do design deixava muita gente coçando a cabeça, com dúvidas. Hoje, essa proposta é muito mais conhecida e reconhecida”, diz. 

Ou seja, ideias isoladas, ainda que geniais, interessam menos ao Fuller Challenge do que propostas integradas a estratégias que gerem impactos sociais, ambientais e econômicos. 

Para vencer, uma solução de design precisa ser visionária, inclusiva, preventiva, ecologicamente responsável, executável, confirmável e replicável.  

Vencedora em 2013, a Ecovative Design preencheu todos esses requisitos ao lançar uma alternativa viável ao plástico convencional, feito à base de petróleo. A empresa utiliza resíduos agrícolas para criar uma matéria-prima orgânica produzida por meio da ação de fungos, copiando a “tecnologia” dos cogumelos. O material pode ser usado em embalagens, na construção civil e na indústria automobilística. “A Ecovative é uma empresa lucrativa e muito bem-sucedida”, completa Elizabeth, mostrando que a inovação pode dar origem a poderosos negócios. Conheça, em nossa galeria de fotos, os projetos finalistas deste ano.

bfi.org/challenge