Cursando mestrado em Nova York, a arquiteta e urbanista Gabriela Callejas conheceu de perto as estratégias urbanísticas da cidade durante sua experiência no Departamento de Desenho Urbano. Foi lá que se deparou com a metodologia do Active Design, que abrange uma série de intervenções voltadas para a melhoria dos espaços da metrópole. De volta ao Brasil, a pesquisa deu início à ONG Cidade Ativa, formalizada em 2014. Incentivando as discussões sobre o planejamento urbano e a arquitetura por meio de projetos, pesquisas e intervenções, as ações da organização melhoram a qualidade de vida e incentivam a transformação dos espaços públicos das cidades.

Bamboo Quais são as estratégias do Active Design?
Gabriela Callejas São estratégias urbanas que promovem o uso do lado de fora, ou seja, estamos falando de calçadas, ciclovias e dos espaços públicos. Quando tornamos estes espaços mais atraentes e eficientes, promovemos uma série de hábitos e práticas físicas mais saudáveis, como o caminhar e o andar de bicicleta.

Como adaptar essas estratégias de projeto para o Brasil?
GC Durante um de nossos projetos, chamado Safáris Urbanos, convidamos diversas pessoas para realizar expedições nas calçadas, analisando e avaliando esses espaços por meio de desenhos e leituras visuais. Ficou claro a partir daí que o Brasil possuía elementos que em NY não fazem sentido, como as fiações, os muros constantes e os portões de acesso para carros, que são muitos. Percebemos que as mudanças necessárias seriam outras. Enquanto lá fora eles possuem uma malha aceitável de espaços públicos, aqui ainda estamos lutando pelo básico, como a garantia pela acessibilidade e segurança.

A Cidade Ativa possui, entre seus projetos, o Olhe o Degrau. Qual a proposta da iniciativa
GC Estávamos procurando quais seriam as oportunidades escondidas na cidade para promover a prática de atividades externas e saudáveis. Com a topografia acidentada de São Paulo, a rede de quem caminha a pé não se limita à calçada, mas abrange também a escadaria e as pequenas travessas. Nesse sentido, as escadas podem ser também pontos de encontro e de convívio, e entendemos que seria fundamental requalificá-las. Fazemos nelas oficinas de grafite, mosaico e confecções de mobiliário urbano, por exemplo.

E como é a participação popular nesses projetos
GC O trabalho é voluntário, basta se inscrever em nosso site. Primeiro avaliamos o lugar, falamos com as pessoas que usam e se apropriam daquele espaço, e a partir daí construímos um projeto em conjunto. A participação é importante pois é também uma oportunidade de capacitação, onde as pessoas aprendem com as oficinas. Mais ainda, a inclusão das pessoas no planejamento de projetos é um exercício fundamental para fazer com que elas pensem seu papel na cidade.

Que tipo de mudanças a Cidade Ativa quer para a cidade?
GC Nosso objetivo é encontrar essas oportunidades de viver bem na cidade, que se encontram um tanto quanto perdidas ultimamente. Para projetar cidades melhores, a mudança deve partir tanto do ambiente quanto do comportamento das pessoas, e por isso precisamos ter um olhar diferente para a cidade, ou seja, experimentá-la de outras maneiras, sair de casa e habitar o lado de fora.

cidadeativa.org.br