Fundador do Instituto de Arquitetos do Brasil, em São Paulo, e autor de inúmeros projetos residenciais e administrativos, Jayme Fonseca Rodrigues (1905-1946) foi figura marcante da arquitetura paulistana entre as décadas de 1930 e 1940. Realizou uma contribuição preciosa, mas que acabou pouco conhecida pelos brasileiros. Pelo menos, até recentemente.

O arquiteto acaba de ter seu trabalho eternizado no livro Jayme Rodrigues - Arquiteto, que será lançado hoje, 17 de novembro, pela editora BEI. Escrito pelo professor Hugo Segawa e com colaboração das pesquisadoras Juliana Suzuki e Nilce Aravecchia Botas, a publicação investiga a breve trajetória de Jayme e o insere no contexto arquitetônico da época. Plantas, fotografias e desenhos originais completam a edição, todos guardados com carinho pela família desde sua morte precoce, aos 41 anos de idade.

"Jayme trabalhou de 1930 até 1946, numa produção intensa não só no campo da arquitetura, mas também no de design. Sua morte prematura, contudo, o fez cair no esquecimento, e muitos de seus futuros projetos acabaram sendo engavetados", explica Hugo Segawa.

Jayme comandava todos os mínimos detalhes de uma obra. Além do projeto de arquitetura e de interiores, mobiliário, iluminação, gradios e guarda-corpos levavam também a assinatura do arquiteto, alguns cuidadosamente definidos em desenhos com escala 1:1. Celebrando a qualidade de seu legado, cinco móveis foram recentemente reeditados pela Etel.

"Jayme era um homem de seu tempo e seguia as tendências da época. A pergunta que fica no ar é se, assim como seus contemporâneos Oswaldo Bratke e Rino Levi, ele iria se aproximar do que genericamente conhecemos como modernismo", questiona Hugo. "Se ele tivesse vivido, até onde ele teria chegado?"

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