Criada e apresentada por Guto Requena e realizada pela Gafisa, a série Design Hoje! aborda em vídeos de três minutos de duração os rumos do design contemporâneo, sempre com a presença de um convidado. Sua segunda temporada, nomeada Cidade-se, estreou recentemente e teve como grande protagonista a cidade, explorando em cinco episódios as transformações e possíveis soluções cabíveis para o espaço público, junto a convidados como Baixo Ribeiro, Guilherme Wisnik e Washington Fajardo. Exibidos durante o horário dos trailers em cinemas do Rio de Janeiro e São Paulo, bem como disponíveis no canal de Guto no Youtube, os vídeos são um convite ao público para questionarem a cidade que querem para o futuro.

Bamboo O Design Hoje! ganha sua segunda temporada com o tema Cidade-se. Por que pensar cidades?

Guto Requena Nada é mais pertinente nesse momento do que discutir cidades. Assistimos nesses últimos anos a retomada da ocupação do espaço publico e da rua. Ela é a extensão da nossa casa. Nessa temporada e nas próximas, queremos mostrar que o design, para além dos objetos, tende a ocupa-la cada vez mais.

B De forma o espaço urbano é apresentado nos episódios?

GR Todos os cinco episódios são como pílulas, com duração de apenas 3 minutos. Por serem breves, minha ideia é plantar sementes, deixando as pessoas incomodadas e provocando o questionamento. Falamos nessa temporada sobre mobilidade, como a importância de reescalar a cidade para deixar que o carro seja o protagonista. Também discutimos a arte pública e as festas na rua, e em como essas inciativas são ferramentas para recuperar espaços e requalificar áreas urbanas. Abordando essas questões, estimulamos as pessoas a ocupar a cidade e instigamos também os designers a pensar além das fronteiras dos espaços físicos, questionando como levar nossa expertise para além da casa e do escritório.

B Tais mudanças dependem da iniciativa das pessoas?

GR Sim, quanto mais coletivo, quanto mais eventos na rua e quanto mais eventos temporários, melhor será a cidade. Em um dos episódios da série falamos sobre o fechamento das avenidas para as pessoas. Isso parece parece simples, mas tem um impacto gigantesco, pois elas percebem que que esses espaços também são delas. Esse entendimento sobre a cidade é fundamental para conquistar uma melhoria na qualidade de vida.

B Para você, o que é construir uma cidade melhor?

GR  Acredito que mais gente na rua, durante mais tempo, torna a rua menos violenta. Na entrevista com o Guilherme Wisnik, ele comenta que temos que abandonar a cultura do medo, que é muito forte nas metrópoles. De fato existe uma indústria focada nisso, como condomínios fechados, segurança privada e carros blindados. Isso tudo nos afasta das cidades, e precisamos reverter essa tendência. Na série também falamos sobre como podemos mudar isso no futuro, com a ajuda da linguagem computacional e por meio de fab labs, criando uma geração de pessoas que precisam tomar à frente dos movimentos urbanos e ocupar as cidades.

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