Livio Abramo (1903-1992) não foi apenas um pioneiro da xilogravura, mas um artista que dialogou com os movimentos sociais e artísticos do século 20, criando soluções formais inovadoras para responder às angústias de seu contexto histórico. Seu falecimento completa 25 anos em 2017 e é relembrado com exposição na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, até 12 de março.

A curadoria de Paulo Herkenhoff incentiva diálogos com o momento sociopolítico e as lutas dos movimentos sociais dos anos 1960. Livio compartilhava do pensamento do alemão Walter Benjamin (1892-1940) de que a arte tinha poder de incluir as minorias vencidas pela história dominante. Na série Frisos, retratou o homem urbano reprimido pela metrópole. Também desenhou as religiões afro-brasileiras.

Filho de imigrantes italianos, Livio, na década de 1960, se afastou da burguesia oligárquica de São Paulo e escolheu o Paraguai, país dilacerado pela guerra, como residência. “Lá, fez gravuras que expressavam sua profunda visão da sociedade e o olhar lírico sobre o mundo”, diz Herkenhoff. Assim, visitar a exposição é também entender a realidade do homem moderno, com questões que ainda fazem sentido no mundo contemporâneo.

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