"Em meio a tantos trabalhos que executei, nunca encontrei um projeto tão ambicioso como esse." Foi assim que o renomado diretor criativo Philippe Starck descreveu o complexo Rosewood São Paulo, empreendimento franco-brasileiro que pretende revitalizar os 27 mil m² do antigo Hospital e Maternidade Matarazzo, na capital paulista, e transformá-lo em novo reduto cultural da cidade.

Cinemas, restaurantes, teatro e espaços expositivos estão programados para ocupar os corredores da construção histórica, abandonada há 18 anos, ao lado de um hotel seis estrelas, assinado por Jean Nouvel, primeiro projeto do arquiteto francês no Brasil. Coube à Starck a missão de decorar os espaços internos do luxuoso edifício, composto por 50 tipos diferentes de suítes que variam entre 130 e 450 m².
 
Foram anos de pesquisa e frequentes viagens ao Brasil até que o profissional francês definisse a diretriz principal do projeto. "Em passeios solitários pela Cidade Matarazzo, percebi uma regra fundamental: era necessário ser humilde e ter respeito por esse lugar, marco da memória dos paulistanos. Para isso, precisávamos que tudo fosse feito aqui mesmo, no Brasil", afirma Starck.
 
Madeiras brasileiras como o Goiabão, a Nogueira e o Louro Preto revestem pisos e paredes junto a mármores vindos do Paraná. Para o mobiliário, Starck incluiu nomes como Sergio Rodrigues e Jader Almeida para compor um extenso catálogo de produtos pré-aprovados, que podem ser combinados ao gosto do proprietário da suíte.
 
"Não queria fazer uma seleção de produtos que formassem uma anedota sobre o Brasil. Escolhi peças originais, que se inscrevem na memória dos brasileiros", comenta. O diretor criativo ainda assina a estamparia exclusiva dos tapetes e o desenho de alguns móveis, como as camas.
 
Em meio a busca intensa por materiais de qualidade, foram inúmeros os desafios enfrentados pela equipe. Alexandre Allard, dono da empresa francesa Allard, que adquiriu o terreno, comentou com humor uma dessas histórias. O profissional buscava vidros com a tecnologia clear glass para os cômodos do hotel e se deparou com a indisponibilidade do produto no Brasil: no país inteiro só são produzidos vidros com fundo verde, fruto da oxidação do ferro contido da areia. Para mudar isso, o empresário iniciou uma busca por locais ideais para a extração do material. "Conversei com um fornecedor brasileiro e o convenci a comprar o terreno. Agora o Brasil finalmente pode produzir vidros com a melhor qualidade", comenta Allard. "As pessoas daqui acreditam que o que é bom está lá fora, quando não percebem que existem belezas e qualidades escondidas aqui mesmo", completa.
 

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