O Núcleo de Experimentação Tridimensional da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, mais conhecido por sua sigla Next, é um dos mais estimulantes centros de pesquisa do design brasileiro na atualidade. Sua equipe faz investigação de ponta em áreas relacionadas ao vasto espectro das tecnologias digitais. Eles estão no backstage de vários projetos importantes. Foi ali, em salas exíguas no subsolo da PUC, que em 2010 foram impressas as versões então ultrassecretas da marca da Tátil Design para os Jogos Olímpicos de 2016. O joalheiro Antonio Bernardo também recorreu à colaboração da equipe para se tornar um dos designers pioneiros no Brasil no uso das tecnologias digitais.

Os projetos vão de novos conceitos para a área de exploração de petróleo à impressão 3D de fetos ainda na barriga da mãe para que grávidas cegas possam “ver” seus filhos. Na exposição Rio+Design Milão 2015, filas se formaram para o uso dos equipamentos que simulavam um passeio pelo Cristo Redentor. A um simples comando, podíamos “voar” para a mão, a cabeça ou o manto do Cristo, de perto ou de longe, e de lá ter a inédita visão do Rio a partir do monumento. A experiência virtual só foi possível pelo uso de um drone equipado com câmeras que permitiram a digitalização precisa da estátua.

As filas se repetiram em abril último, quando, a convite da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, que realiza a exposição na Itália desde 2008, o Núcleo apresentou a instalação interativa Rio Is Here, que proporcionava ao visitante uma imersão na paisagem da orla carioca, em que praia de um lado e edifícios do outro passavam na velocidade da pedalada, e ao som de uma seleção do Spotify especialmente concebida para o tema.

O Next é uma instituição acadêmica. Suas dotações vêm do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio e dos contratos feitos com empresas como Deca, Natura, Petrobras e GE. A equipe fixa integra os coordenadores Jorge Lopes dos Santos e Cláudio Freitas de Magalhães, oito alunos de doutorado, oito de mestrado e oito de iniciação científica. Outros professores participam de projetos específicos ­– Celso Santos, por exemplo, foi o responsável pelo escaneamento do Cristo Redentor. Os contratos, por sua vez, permitem agregar colaboradores específicos para cada projeto. 

O Next não vende diretamente os objetos que projeta – e talvez o fato de estar fora do mercado de consumo explique o relativo desconhecimento sobre sua atuação na comunidade geral do design. O artista Vik Muniz os procurou por indicação de Ron Arad. O designer israelense radicado em Londres é um pioneiro na área, tendo sido o curador, em 2000, da exposição Not Made by Hand, Not Made in China, no Victoria & Albert Museum, que questionava a cópia de produtos industriais ao produzir produtos não replicáveis, que somente poderiam ser impressos em 3D. Jorge foi seu orientando de doutorado no Royal College of Art de 2005 a 2009. A pedido de Vik, o Next microtomografou – até o verbo é novo! – uma bolinha de papel amassado, sem destruí-la, para reimprimi-la em 3D em diversos tamanhos para trabalhos recentes do artista.

Leia a coluna completa de Adélia Borges na Bamboo de dezembro, nas bancas.