"O conceito da mostra Lina Bo Bardi: Together, em cartaz no Sesc Pompeia, em São Paulo, até 11 de dezembro, é dar o visitante a experiência de estar nos espaços de Lina Bo Bardi. Mais passar a sendação do que mostrar como eles são. Nós desejávamos apelar aos sentidos e explorar algumas das muitas facetas de sua obra. Era algo particularmente importante pois a exposição passou por 11 cidades fora do Brasil antes de chegar a São Paulo. Por isso decidimos criar uma instalação imersiva.

Quando eu visitei o Sesc Pompeia pela primeira vez, fiquei impressionada, da melhor maneira possível. Eu já tinha visto muitas fotos do Sesc antes, mas nada poderia ter me preparado para a experiência de estar lá. Eu fiquei maravilhada pela vibração do local, a coreografia dos prédios, a convivência. Eu nunca havia experimentado isso antes em um local público. Se tornou claro para mim que nós precisaríamos trabalhar com diferentes suportes para criar essa experiência imersiva e sensorial.

A minha primeira decisão foi fazer uma videoinstalação em que a arquitetura é o pano de fundo e as pessoas e a vida geradas nos espaços são os personagens principais dos filmes. Tapio Snellman, um produtor de filmes finlandês, é brilhante em capturar a atmosfera lugares e cidades. Então ele foi a escolha óbvia para esse trabalho. Seu filme também explora os paralelos entre os projetos de Lina Bo Bardi em São Paulo e Salvador.

Nós queríamos mostrar a cultura popular brasileira. No Museu de Arte Moderna da Bahia, projeto de Lina Bo Bardi, a artista Madelon Vriesendorp conduziu workshops com a população local, criando objetos com materiais reciclados. Esses objetos e outras peças que artesanato que Madelon e eu encontramos nos mercados de Salvador são mostrados ao lado de obras criadas por ela, numa instalação artística.

Outro aspecto fundamental dessa exposição foi sua materialização e, claro, seu design. Como a mostra reencena o trabalho de Lina Bo Bardi, nós precisávamos de arquitetos e designers que compartilhassem da sua filosofia multidisciplinar e participativa. O Assemble tinha feito apenas dois projetos quando eu os conheci em 2011, mas eles estavam completamente alinhados com o que gostaríamos de fazer. Eles queriam trabalhar na exposição como uma forma de aprender mais sobre Bo Bardi. Eles desenharam e construíram tudo com suas próprias mãos."

Noemi Blager é arquiteta argentina, que trabalha em Londres. Descobriu Lina Bo Bardi em 2006, quando veio ao Brasil para um projeto. Sua obra a reconciliou com seu interesse original por arquitetira, que era contribuir para a vida das pessoas e para a sociedade.