“O mais importante na educação é a ideia de que você participa do mundo”, diz Vik Muniz, que neste ano inaugurou uma escola no topo do Vidigal para oferecer atividades extracurriculares para crianças da primeira infância. Nela, o artista quer promover a alfabetização imagética e tecnológica – uma porta de entrada para um mundo intermediado por dispositivos tecnológicos, redes sociais e inteligência artificial. “As crianças estão condicionadas a serem consu- midoras de imagem e de tecnologia. Quero que entendam esse universo a partir do ponto de vista de quem cria e não só de quem consome.”

A escola ganhou uma parceria determinante
há quatro meses, no encontro entre Vik e Tonia Casarin. Participante do Programa de Talentos da Fundação Lemann, a carioca voltava do mestrado em educação no Teachers College de Columbia, em Nova York. Em sua temporada nos EUA, desenvolveu um diálogo intenso com outro brasileiro, Paulo Blikstein, professor e pesquisador da Universidade de Stanford, que lá desenvolveu um laboratório de fabricação digital voltado para crianças e adolescentes.

Os fablabs surgiram no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) nos anos 2000 e se tornaram um modelo de sucesso pelo mundo, oferecendo aparato para a cultura maker do século 21. “Eu era aluno do MIT na época, e achei que seria fantástico trazer o projeto para a educação. Mas quando construí o primeiro lab em uma escola, em 2011, percebi que as necessidades eram muito diferentes.” Amparada em teóricos como Paulo Freire, sua pesquisa incluiu a formação de professores, a criação de atividades e currículos, e a avaliação de resultados de aprendizagem. Hoje, o FabLearn Lab está presente em 15 países e promete formar uma geração de jovens brilhantes.

Tonia, que buscava trazer o projeto para o
Brasil, acabou por se tornar a coordenadora da Escola do Vidigal. “Não basta expor a criança
à tecnologia, mas ensinar o que, e como. Essa
é a reposta que o FabLearn dá”, explica. Com
o hardware do lab pronto, e em processo de capacitação de tutores, o programa abre as portas à criançada no início de 2017.

Na Bamboo de dezembro, confira a entrevista com Paulo Blikstein.